Cuidado com argumentos que parecem indiscutíveis…

Antigamente as mulheres se casavam cedo? Às vezes sim, às vezes não…

o que não pode escrever na redacao

Você teria coragem de escrever na sua redação que no Brasil colonial, patriarcal, as mulheres se casavam cedo?

A maioria dos alunos teria coragem, eu acredito.

Mas, como acontece com toda generalização, não dá pra dizer que era sempre assim!

Veja o que diz este trechinho que tirei do livro A capital da solidão, do jornalista Roberto Pompeu de Toledo:

o que não pode escrever na redacao

61% das mulheres paulistas no período colonial – segunda metade do século XVIII – continuavam solteiras até os 29 anos!

Surpreendente, né?

Como você vê, só repetir o que se ouve pode levar a gente a entrar na generalização.

Quando meus alunos começam a treinar a argumentação mais a fundo, nós começamos a detectar generalizações, que são coisas bem comuns para quem acaba de sair do ensino médio.

Generalizar tem tudo a ver com senso comum – coisas que se repete por aí até um ponto em que se acredito que é verdade indiscutível.

Só que não!

Generalização é uma tendência que pode levar você a argumentar de forma falha – atenção a isso!

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Sua redação tem erros deste tipo?

Quando chega no parágrafo III… acaba o assunto né?

post 739 – Você pode estar mentindo sem saber…

Tem certeza de que seu argumento na redação é verdadeiro?

E se você afirmar algo que não é verdade na sua redação?

Fica feio né?

como escrever uma redação fácil

Na semana passada um aluno meu, vestibulando, no curso online escreveu o seguinte trecho:

A vida nas cidades grandes é muito violenta. As pessoas têm medo de sair na rua. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro têm os mais altos índices de violência. Devido a isso muita gente está se mudando para cidades do interior que são mais tranquilas.

Não temos dúvida de que sair à rua em cidades grandes incluindo São Paulo e Rio envolve muito risco, infelizmente.

Entretanto, não se pode dizer que São Paulo e Rio sejam as cidades mais violentas. Não é verdade!

Meu aluno não acreditou quando eu disse a ele que essas não são as cidades mais violentas (embora sejam), e aproveitei para mostrar a ele as estatísticas do IPEA. Qual aluno vai buscar essas estatísticas, não é mesmo?

Este gráfico abaixo eu extraí do Atlas da Violência, feito pelo IPEA, em 2021 (todo ano tem um), e mostra a posição de São Paulo e Rio para um certo índice de violência:

ideias para redacao

Este outro gráfico também foi feito pelo IPEA, veja:

o que escrever na redacao

Interessante saber disso, né? Inclusive no Atlas do IPEA você encontra as cidades mais violentas do Brasil, muitas delas “pequenas” e “de interior”!

E em termos de região, as regiões com as maiores metrópoles brasileiras também não são as mais violentas, veja:

repertório para redacao

Então a ideia do meu aluno era falsa. São Paulo e Rio não figuram entre as cidades mais violentas, embora sejam sim violentas.

Enfim, isso se refere ao assunto “violência no Brasil”. E em todos os outros temas a gente, sem perceber, repete afirmações que não são verdadeiras; por isso é bom confirmar se o que você quer escrever na sua redação é aquilo mesmo, de verdade!

Para isso basta pesquisar no google – vai ser mais um repertório na sua vida.

Não repita o que você lê em redações 1000, nem confie 100% no que a mídia divulga. Há detalhes ali por trás que mudam a história…

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O que é um laboratório de redação?

Ponto-e-vírgula – você tem medo de usar?

Será que sua redação tem estes erros?

Erros muito comuns em redações!

Este é o início de uma redação de meu aluno virtual de Camboriú, SC. Aposto que você não vai encontrar erro nele, mas tem dois!

Certamente você não encontrou os dois erros…

O primeiro é a frase

“Nessa região tem características, como baixo índice…”

Pode localizar para mim o sujeito dessa frase?

Responda: quem é que tem características?

Não tem sujeito!

Eu sei que você é bonzinho e deve estar dizendo “É “nessa região!”

Mas isso não é um sujeito que tem características, isso é um lugar, é um advérbio de lugar!

Se a frase fosse

Essa região tem características, como baixo índice…”

aí sim! Aí tem sujeito! É essa região que tem baixo índice!

Bem, mas eu disse que tinha dois erros… qual o segundo?

como escrever uma redação perfeita

É aquela frase final “Ocorrendo miséria, fome, etc” !!

Qual o sentido dessa frase?

Nenhum.

Experimente falar essa frase para alguém, e veja a cara desse alguém…

Essa frase deveria estar ligada à anterior por uma vírgula, ela é claramente uma continuação da anterior!

É ou não é?!

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Um flagrante de tangenciamento de tema!

Outro erro que você não vai descobrir…

post 737: Laboratório de redação funciona?

O que é um laboratório de redação?

melhor curso de redação

Pense na palavra “laboratório”.

Era aquele lugar, na escola, onde você fazia experimentos. Os experimentos te levavam a descobertas e conhecimento.

Um laboratório de redação é um lugar onde se experimenta a escrita.

Ele tem tudo a ver com escola também.

Num laboratório de redação há um professor que vai trazer exercícios para que os alunos testem a escrita, experimentem a escrita!

 

Um laboratório é perfeito para que os alunos desenvolvam a escrita (não só dissertação, tá? todo tipo de escrita!) vagarosamente, e sem cair em bloqueios.

O centro do laboratório de redação é o aluno, quer dizer, não tem a ver com professor falando lá na frente e aluno anotando no caderno, percebe? São duas coisas diferentes!

Se o aluno não põe a mão na massa, se ele não faz exercícios práticos de escrita… se ele só anota o que o professor fala, então não é laboratório de redação. Pode ser palestra, ou algo assim mais teórico, e teoria, você sabe, é 5% da redação.

Os alunos podem escrever em grupos, em duplas ou sozinhos, podem ler em voz alta o que escreveram… discutem os assuntos também. É bem divertido como você pode imaginar, não se sente o tempo passar!

laboratório de redação

Laboratórios de redação são bons em qualquer nível – do fundamental ao médio.

Existem laboratórios de redação para vestibular e concurso, e são, logicamente, cursos longos (costumam ter no mínimo 1 ano), em turmas pequenas (8 alunos). Eles não funcionam se você já estiver “em cima” da prova, lembre-se disso!

Se você já está perto da prova, com data marcada, eu não aconselho laboratório de redação, porque seu resultado não será rápido.

 

Então laboratório de redação funciona sim! Se você puder se inscrever em um, faça isso. Meus cursos começaram como laboratório de redação, lá no final da década de 80, e eu só passei para cursos individuais, porque havia urgência dos alunos em passar em provas, a gente não ia ter muito tempo…

Mas enquanto durou foi inesquecível! Escrever era a coisa mais fácil do mundo!

Se você tem pressa para o resultado, escolha seu curso aqui – o resultado é na aula 1!

 

O certo é “dês de”? ou “desde de”? ou…

Este trechinho é de uma redação do meu novo aluno vestibulando do curso em vídeo, William. Qual o problema que você vê indicado pelo número 9?

 

Meu aluno deveria ter escrito desde!

 

Fale direitinho: DESDE.

“dês de” não existe

Aliás, “desdi”, “desde de”, “deisdi” também não, tá? 😉

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A campeã das palavras repetidas!

Alguns vestibulandos são diferentes…

 

“As vezes” tem crase?

– 735 posts ein! quem diria! –

Às vezes o “as vezes” tem crase e outras não.

Ficou confuso?

Vamos ver este trecho de uma aluna minha,  a Isabella, vestibulanda de Veterinária, no curso online. Um desses dois “as vezes” que ela escreveu deveria ter crase, qual seria?

É o  primeiro!!!!!!

“… às vezes não veem outra saída a não ser largar o esporte” 🙂

Nessa frase o “às vezes” indica uma frequência em que algo acontece. Não é sempre, mas algumas vezes eles largam o esporte!

 

Agora, quando minha aluna escreve

“…nas aulas de educação física são raras as vezes que se apresentam as modalidades esportivas…”

aí sim! Aí está certinho, não tem crase!

Nessa frase o “as vezes” é o nome de alguma coisa. Os momentos [em] que se apresentam as modalidades esportivas são raros!

Não é difícil se você pensar dessa forma!

Então “as vezes” às vezes tem crase, e outras vezes não 😀

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Melhor hora pra começar a treinar redação!

Aulas de atualidades pra redação!

“Minha redação não cabe na folha definitiva!”

Às vezes o aluno reclama que a redação não cabe na folha final, quer dizer, ele faz um rascunho perfeitinho mas na hora de passar para a folha definitiva alguma coisa precisa ser cortada.

Simplesmente cortar não é nada legal… você pode afetar a clareza irremediavelmente.

Mas muitas vezes basta localizar excessos. Esta imagem abaixo é de uma redação do Davi, meu aluno vestibulando de Medicina. Observe a introdução e veja como ela poderia ser eliminada tranquilamente sem afetar em nada a clareza:

professor de redação

Viu?!

É bem comum os alunos escreverem frases absolutamente inúteis na introdução! 🙂 Aí, é só cortar e pronto!

E olha que curioso: a mesma redação do Davi tinha excesso na conclusão! Veja aquela última frase – ela não serve para nada:

adriano chan

Ele já tinha afirmado que há profissões com mais homens e profissões com mais mulheres ali mesmo no começo da conclusão! Talvez ele estivesse com medo de escrever só uma frase na conclusão… Não existe número exato de frases na dissertação de provas (a menos que isso esteja claro no edital)!

Então eu sugiro que na hora de editar seu rascunho (aquele longo tempo em que você lê e relê e trelê seu rascunho) você se acostume a localizar excessos, mesmo que sua redação caiba direitinho na folha final. Excessos não são uma prática boa numa dissertação – eles funcionam na escola, mas só lá. 😉

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Método indutivo na redação

O que é “pelo o”?

Um argumento que todo aluno usa mas não é muito verdadeiro…

– post número 733! – 

Vamos ver hoje um trecho de uma redação de aluno meu, o Davi, vestibulando de Medicina, no curso virtual.

Quero que você pense nos fatos que ele relata na introdução:

            Ao longo de toda a história humana, o homem sempre esteve em uma condição de menoridade. Seja pela abdicação de suas vontades individuais por influência de instituições como a repressiva Igreja Católica medieval ou pela subordinação aos interesses de governantes autoritários, é nítido que a maioria de uma população se encontrou, a todo momento, submissa a forças e/ou indivíduos poderosos do período em que viveu. Para o homem na sociedade atual isso não é diferente, ainda que valiosos direitos referentes a liberdades individuais tenham sido conquistados ao longo do tempo. Segue, portanto, sem alcançar a maioridade.

 

Esse aluno escreve bem, então vamos destrinchar melhor suas ideias para localizar eventuais falhas de argumentação.

Ele fala de uma Igreja Católica repressiva durante a Idade Média, uma Igreja que reprimia vontades individuais.

Esse argumento é usado de forma ampla pelos alunos, mas ele é bastante simplista. Quer dizer, as coisas não eram bem assim… a Idade Média é um período de mais de 1000 anos, e você pode imaginar  que nenhum poder repressor se sustentaria ileso  por 1000 anos!

Mais que isso, essa repressão não era tão intensa como se costuma pensar. Vou deixar aqui um vídeo de um professor medievalista italiano (o vídeo está em italiano) que rechaça essa afirmação de que a Igreja da Idade Média reprimia o povo. Inclusive, com seus estudos, ele garante que ela não reprimia o povo quanto a seu comportamento sexual!

Inclusive, no vídeo, o professor Alessandro Barbero diz que a sexualidade na Idade Média era até menos reprimida que hoje, que era considerada necessidade natural tanto de homens quanto de mulheres, e que entre padres havia muitos casos de concubinato (união de casais sem matrimônio). A própria Igreja não se sentia capaz de reprimir esse comportamento e o povo ria e fazia troça das tentativas de controle da Igreja!

Enfim, é um argumento que se repete mas que não corresponde à verdade.

E também posso dizer que exemplos na introdução, do jeito que meu aluno fez, não são a melhor  coisa a se fazer numa prova, porque introduções não são desenvolvidas dentro de si mesmas; é melhor guardar exemplos para o meio da redação.


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Erros em blogs!

O que é repertório?