Calma, calma! Vamos por partes!

Aqui está um trecho de redação que recebi ontem, de aluno concurseiro Bruno, do meu curso virtual. Leia em voz ALTA este parágrafo destacado e veja se descobre algo errado com ele (ignore as marcações com números):

Se você leu em voz ALTA mesmo, então certamente não conseguiu ler o parágrafo do jeito que ele foi pontuado. Não existe nele um mísero ponto final: uma coisa vem atrás da outra, num sem-fim…

É um sem-fim de relações de causa-efeito que deixam o leitor meio tonto… 🥴

Foi um parágrafo com relações encadeadas sem parar. Realmente um período desse tamanho (8 linhas) em que uma coisa leva a outra sem fim é muito difícil de ser captado rapidamente. Então nós temos aqui um período longo realmente, mas ele não é em si o pior problema, porque o tamanho não é bem um problema, como já vimos – o problema é a clareza.

A melhor coisa a fazer é ler em voz ALTA como eu sempre digo. Se você leu murmurando, não percebeu nada de errado. Mas, se leu em voz ALTA obedecendo a pontuação do meu aluno, não foi fácil não… 😟

Deixa eu te mostrar o que é essa história de ler em voz ALTA. Veja como eu leio em voz ALTA do jeito que o meu aluno pontuou. 

Você viu que pontuação tem a ver com entonação, e a entonação tem a ver com o sentido, correto? Você não vai conseguir transferir o sentido do que está escrevendo do jeito que você gostaria se pontuar errado. Infelizmente hoje é raríssimo um aluno ler em voz ALTA na escola, seja em qual escola for, então vê-se alunos entrando e saindo de universidades sem saber pontuar. 😡

Ao reler seu texto na etapa da edição (depois do rascunho), faça o favor de ler em voz ALTA, porque só assim seu cérebro vai te ajudar a captar o que está errado; não tem outro jeito de pontuar corretamente, e no dia da prova você já precisará ter isso automatizado – não vai dar pra ler na hora H. Se sua voz entonou para cima, use vírgula; se entonou “para baixo”, use ponto pelo menos!

(Te dei uma palinha do apoio que meus alunos recebem para melhorar a pontuação 😉 )

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Veja onde estão meus ex-alunos vestibulandos!

E veja onde estão meus ex-alunos concurseiros!

 

“Você corrige redação tipo Unesp?”

– post 679! o que parecia impossível…-

Quando um aluno me pergunta se eu corrijo redações tipo Unesp, ou tipo Fuvest, ou tipo Uerj etc etc eu fico meio angustiada, porque vejo que esse aluno está imaginando que há uma meia dúzia de tipos de redação dissertativa para vestibulares! 😳

Primeiro que não corrijo redações, eu as avalio, como você já sabe…

Segundo que redação dissertativa argumentativa é UMA SÓ. As organizações de provas não “querem” uma redação assim ou assado, elas apenas escrevem lá no edital “redação dissertativa argumentativa”. Por que será que se imagina que cada organização tem um tipo?! 🙄

As redações TODAS são corrigidas por bancas de vestibular e concurso usando os mesmos critérios.

Você  pode até não acreditar, tudo bem… mas é assim simples.

Os nomes dos critérios podem mudar de uma para outra e os pesos dos critérios podem mudar de uma pra outra, mas a correção analisa exatamente os mesmos aspectos.

Uma dissertação argumentativa é analisada assim:

  1. abordagem = o aluno fugiu do tema? “sacou” aspectos realmente importantes do assunto? usou o material fornecido ou fez de conta que ele não existia? a abordagem que o aluno escolheu indica maturidade ou tendência a agradar o corretor usando senso comum? Então este critério analisa as ideias do aluno e a habilidade do aluno em captar do que se está falando. 
  2. estrutura dissertativa  = o aluno foi claro? se explicou suficientemente? deixou dúvidas no ar que o leitor não vai poder resolver? deu para notar que ele releu o texto e escolheu uma sequência ideal? a divisão de parágrafos é a melhor? usou argumentos realmente bem pensados ou copiou o que dizem, ou a frase de alguém, sem pensar? existe tese? a coesão está tranquila, sem medos de repetir palavras e sem afirmações que “caem de paraquedas”?   Este critério analisa a habilidade que o aluno tem de pôr no papel os pensamentos, quer dizer, transformar os pensamentos em algo concreto para se entender de imediato; também demonstra o tempo de treinamento que o aluno tem.
  3. vocabulário e linguagem = o aluno demonstra ter um vocabulário preciso, com palavras usadas na hora certa? a linguagem é adequada ao corretor-professor, ou é intrincada tentando mostrar erudição? a linguagem contém traços de coloquialismo inadequados para que um professor leia? o texto é gostoso de ler, como um artigo de jornal? Fácil entender este critério!
  4. gramática = tudo certo com o uso do português? acentos, pontuação, regência, crase, concordâncias (que são erros horríveis! 😫 ), ortografia, etc etc… Este critério também é fácil de entender…

As organizações responsáveis pelas correções decidem o nome que querem dar a cada critério, então pode ser que os nomes acima mudem. Elas também podem incluir aspectos de um critério em outro, por exemplo: coesão normalmente fica dentro de “estrutura dissertativa”, mas pode ser considerado como falha gramatical. Seja num, seja noutro critério, o aspecto “coesão” vai ser avaliado, não tem como escapar.

Algumas organizações podem avaliar o título, quando se tratar de curso de publicidade, já que assim pode-se analisar o nível de criatividade do aluno.

Aspectos formais, como letra ilegível, margens irregulares, ausência de recuo de parágrafo, frases que extrapolam o espaço da redação, normalmente são incluídos em “estrutura dissertativa”, já que essas falhas prejudicam a estrutura em si. Por exemplo: uma estrutura sem recuo de parágrafos é avaliada como contendo apenas UM parágrafo, o que logicamente vai ser fatal para a nota.

No caso do Enem, os critérios continuam sendo os mesmos, englobados em competências, de maneira que nada muda: se o aluno satisfaz todos os critérios que citei acima, ele estará satisfazendo as competências automaticamente (mesmo que nunca tenha ouvido falar nelas!). O único detalhe é que a argumentação do Enem exige a menção a propostas de intervenção. Propostas de intervenção sempre podem ou não ser incluídas, isso não foi invenção do Inep, apenas são obrigatórias na argumentação do Enem.

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Jeito sofisticado de evitar repetições!

Detalhes muito tristes…