Primeira pessoa na redação Fuvest

Formadores de virtudes

            O ano de 2002 marca o início de uma nova etapa na minha vida, afinal, atingirei a idade adulta. Durante a infância e a adolescência, fui orientado por várias pessoas que contribuíram de forma importante na minha formação, através de palavras, gestos e atitudes. Refletindo sobre essas pessoas, pergunto-me: quais os meus principais formadores? O que eles já fizeram e ainda têm feito para interferir na minha formação?

Do ponto de vista religioso, eu e meus familiares buscamos orientação na Igreja Católica, onde fizemos várias amizades. Creio com veemêcia* que as palavras dirigidas por padres e por esses amigos me ajudaram a superar momentos turbulentos, como a morte de parentes. Essas palavras também foram essenciais para a preservação do casamento dos meus pais, o que proporcionou a mim a tranquilidade necessária para que eu conduzisse minha vida de uma forma adequada.

Além disso, meus pais contribuíram de maneira decisiva na minha educação, através de conselhos e atitudes. Meu pai, manso e paciente, enfrentou dificuldades no trabalho e momentos de instabilidade financeira, mas jamais se desesperou e procurou sempre lembrar a mim e aos meus irmãos que existem pessoas que enfrentam constantemente problemas muito mais graves do que os dele. Minha mãe, por outro lado, é uma mulher lutadora e trabalhadora, que tem na companhia do marido e dos filhos – que são cinco – a maior alegria e que me orientou a lidar com responsabilidade diante dos estudos e a viver com pudor e dignidade a minha sexualidade.

Sobretudo, a pessoa mais fantástica com quem pude conviver até hoje é, por incrível que pareça, uma criancinha de quatro anos, que talvez não consiga ler, falar ou andar sem fraldas: meu irmão Lucas. Portador de um grave e raro problema neurológico (a Síndrome de Engelman), Lucas me ensinou, através de sua simplicidade e do seu olhar, a  buscar sempre a superação dos meus limites e a viver com alegria todos os momentos de minha vida. Lucas é uma pessoa na qual eu me espelho muito.

Dessa forma, vejo que meus professores, amigos e principalmente, orientadores religiosos e minha família procuraram, a todo instante, fazer de mim uma boa pessoa. Estou certo de que as minhas virtudes, ainda que poucas, se devem aos meus formadores e espero continuar contando com essas pessoas nessa nova etapa da minha vida que se inicia neste ano.

(uma das melhores redações do ano de 2002 segundo a Fuvest)

Primeira pessoa na redação da Fuvest

Pela catraca invisível e Contra ela

                    O grupo Contra Filé planta uma catraca enferrujada sobre um pedestal e propõe um programa de descatracalização da vida, do qual me é dado julgar a pertinência. Ora, dizer se se justifica a pretensão idealista de escapar aos controles visíveis e invisíveis do sistema (capital, governo etc) é tão difícil quanto o seria em relação a questões como a oposição entre liberdade e sociedade, o ser livre e o pertencer, o ideal e a prática. Sim, o programa justifica-se. Mas por quê?

(introdução de uma das melhores redações do ano de 2005, segundo a Fuvest)