É pra usar citação ou não é pra usar citação?!

Recebi um e-mail de um aluno do meu curso virtual para concurso, um morador do RJ. Ele estava inscrito num serviço de correção de redação para Enem, por e-mail.

Ele diz:

dá uma olhada nos comentários que recebi na última redação:
– Necessário apresentar um maior repertório sociocultural, isto é, relacionar o assunto com outras áreas de conhecimento (física, história, geografia, matemática etc.) / – É preciso realizar uma citação de um filósofo ou alguém notável relacionado à temática. /
– Fazer uma citação do cotidiano. Procure citar e comentar notícias de sites, jornais etc. Lembre-se de que ela deve ser contextualizada ao assunto tratado. /
Já no outro curso que é específico para o concurso que estou prestando, curso este que tem excelentes resultados nesse concurso, a professora disse que não devo usar citação de jeito nenhum.
Muito complicado. Hahhah

 

Eu concordo, é complicado…

Da minha parte, citações não são necessárias, não há qualquer pontuação a mais para quem cita filósofos ou gente notável; isso é por demais artificial, e às vezes fica até ridículo quando não se tem domínio do pensamento daquele filósofo específico. Eu já tinha comentado sobre como os alunos amam citar Bauman, lembra? E eu não aguento mais ler “como disse Hobbes, o homem é o lobo do homem”…

 

 

 

Quanto à “citação do cotidiano” nada mais é que exemplos da vivência do candidato! E qual o candidato que tem essa coragem?! É uma delícia ler redações que falam de coisas que todo mundo sente, experimenta… e é muito mais fácil escrever redações que falam de coisas da nossa vivência. Mas… depois de anos ouvindo de certos professores que “não pode falar nada pessoal na redação dissertativa”… será que alguém consegue usar fatos pessoais, exemplos pessoais!? (os professores precisariam entrar num acordo, né? 😀 )

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Que tal aplicar Aristóteles na redação?! 😀

Como escrever os números na redação?

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Redação Unicamp é fácil?

Meu aluno virtual passou em várias faculdades na primeira fase dos vestibulares, entre elas Unicamp.

Então eu perguntei se deveria iniciar o curso de redação para a Unicamp. Ele me disse “meu professor disse que na Unicamp é só seguir as orientações do que é pra fazer e escrever, não tem erro”.

Se fosse assim tão simples todo mundo ia bem, concorda?

Para quem é mais velho, realmente é mais fácil escrever, porque os mais velhos conheceram cartas, enviavam e recebiam cartas pelo correio, os mais velhos já andaram fazendo relatórios em faculdades ou no trabalho, costumam ler entrevistas… enfim, eles se lembram de um maior número de gêneros de escrita. Hoje há alunos que jamais escreveram uma carta, nunca colaram um selinho em uma, não costumam ler entrevistas, também não fazem relatórios…

Enfim, o mais importante mesmo é você já ter visto uma variedade de gêneros pela sua vida afora, e eu não vejo isso nos meus alunos, infelizmente.

Eu sugiro enfaticamente que você treine os gêneros sim, algumas semanas antes, pelo menos. Vale a pena porque não demora tanto como um treino de dissertação (o meu curso para a Unicamp dura de 6 a 8 aulas no máximo), e muita gente vai nessa conversa de que “é só ler o enunciado e fazer o que eles pedem” 😀

 

Qual não pode usar: “eu” ou “nós”?

Redação e psicossomática…