Você fala errado?

Olha só o que um aluno escreveu numa redação no meu curso:

“Não devemos apenas se livrar do que nos mantém cativos…”

 

Percebeu alguma falha?

Não?

Se não percebeu, você também deve estar falando errado…

 

Repita comigo:

“Eu não devo ME livrar”

“Você não deve SE livrar”

“Ele não deve SE livrar”

“Nós não devemos NOS livrar”!

 

Então, ele deveria ter escrito

“Não devemos apenas nos livrar do que nos mantém cativos”

 

Vamos melhorar essa sua redação que não sai de jeito nenhum?

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Começando a interpretar textos…

Veja só a reação do meu novo aluno do curso de interpretação de texto, terminada a primeira aula:

– ah, mas interpretação é só ler? Só isso?!

Eu ri!

A mãe desse meu aluno pediu que ele fizesse meu curso porque ele nunca se interessou em ler nada, e a família assinava revista semanal e jornal diário! As redações dele eram medíocres. Com o tempo ele se tornou um vestibulando com sérias dificuldades  porque não entendia o que lia, e logicamente não conseguia passar nas provas.

Então ele me prometeu que leria todos os dias o jornal e a revista. No entanto, quando nós nos encontrávamos para a aula, ele não conseguia me contar nada nada do que tinha lido a semana toda. E ele tinha realmente lido! A mãe confirmava!

 

O que acontecia?!

Bem, ele lia tudo maquinalmente, para ter a sensação de que tinha lido. Porque tinha que ler; porque eu tinha mandado; porque era importante… A vontade não vinha dele.

Será que você não está fazendo isso? Será que você não lê maquinalmente e termina por não lembrar de nada de tudo que leu?

Nosso cérebro tem essa particularidade: ele não lembra bem o que não interessa para ele… Nesse caso você pode experimentar ler só o começo do artigo, ou ler um comentário de um especialista sobre o caso, assim você vai se familiarizando até com os assuntos mais chatinhos pra você.

Voltando ao caso do meu aluno, como ele é um vestibulando, não precisava ler textos específicos ou técnicos, então durante as aulas ele está aprendendo a folhear jornais e revistas para localizar o que parece “menos chato”.

Uma técnica inicial que ele  teve no meu curso e que você pode tentar aí em casa, sozinho(a), é ler trechos curtos e explicar o que entendeu para alguém, ou para você mesmo, falando sozinho. Essa técnica super simples ajuda os cérebros que tendem a confundir tudo, e as pessoas ansiosas.

Esses trechos curtos podem se os parágrafos – leia parágrafo por parágrafo -, mas se você tem mais dificuldade de entender o que leu, pode ler partes menores dentro de um parágrafo. Para tornar sua tarefa mais tranquila ainda, use uma técnica que uso com alunos disléxicos: acostume-se a usar uma folha de papel cobrindo as linhas todas abaixo da linha que você está lendo – dá uma incrível clareza visual! – e vá deslizando-a a cada nova linha que você começa a ler.

Comece assim, e tenha do seu lado um dicionário para o caso de não conseguir entender uma palavra de jeito nenhum; mas se der para entender sem dicionário, ignore-o. Parar toda hora para ver palavras no dicionário é bem cansativo – sorte que você já nasceu falando português…

Nesse nível bem inicial, e que dispensa professor, você está compreendendo o que o texto diz. Já é um belo caminho andado! Habilidade que pouca gente tem no Brasil. A interpretação é uma habilidade além dessa, em que você consegue fazer deduções sobre o que leu, sobre coisas que ficam implícitas, que o texto faz você lembrar… Coisas que normalmente, sem treino, você não ia notar, mas que estão ali no que você leu. A interpretação já pode ser treinado nessa fase inicial – apenas que você vai precisar de um professor por perto.

Você vai se sentir mais inteligente à medida que desenvolve a interpretação de texto, é bem interessante! Há muitas coisas nas entrelinhas que você nem sonha…

Essa técnica bem básica que te ensinei não garante que você consiga interpretar textos suficientemente rápido e com precisão a tempo, porque a interpretação demanda tempo de treino. Mas se você não é bom de interpretação, nem tem professor por perto, só há esse caminho pra você…

Então, interpretação é ler, mas não é SÓ ler…