A catástrofe de quem não lê nada mesmo

Eu falei um tempo atrás sobre essa ideia de alguns alunos de que, para fazer a redação é preciso ler ler ler muito muito muito. A organização da redação argumentativa já fornece para você tudo que é necessário, de maneira que todos os candidatos estão iguais em termos de conteúdo.

Mas há o polo oposto. Há quem não leia nada mesmo, e chega às vésperas do vestibular sem dominar o básico. Estou me lembrando de um caso de um garoto recém-saído do ensino médio, de uma escola particular conhecida em São Paulo, com seus 17 anos, cujo pai assinava jornais, em cuja casa havia revistas semanais. Ele foi muito mal nas redações de vestibular e me chamou para fazer o curso enquanto fazia também o cursinho.

Lembro-me que a redação dele era muito infantil. Infantil no sentido de que parecia mesmo alguém com menos idade. E logo eu descobri que ele praticamente não lia nada, e isso desde que nasceu 😮

Por exemplo, ele recebeu uma proposta de redação que para mim parecia muito clara, e que dizia que a desigualdade brasileira era crônica. Ele não entendeu. E ele não entendeu porque – pasmem – ele não sabia o que era “crônica”! Como explicar que um aluno com ensino médio completo não sabia o que era isso?

Tentei ler com ele alguns artigos de jornal na esperança de que alguma coisa melhorasse no vocabulário dele. E ele me surpreendeu, quando a palavra “angustiado” apareceu num artigo e ele… não sabia o que era 😮

 

Quando ele “caiu na real” sobre o que estava acontecendo com a redação dele, que nunca saía dos 5, ele me perguntou “o que eu preciso fazer pra melhorar isso?”. E aí sim, realmente, precisaria ler. Não muito, não. “Muito” me parece uma palavra que não funciona bem no cérebro. Mas LER. Ler e entender a ponto de contar para alguém o que leu. Usar aquela técnica antiga de ir anotando no papel as palavras novas. Faça você isso. O efeito não é rápido, mas… não tem outro caminho.

Ele estava a uns 8 meses do vestibular… como ele poderia recuperar a leitura de anos em 8 meses? Não dá, pessoal, não dá.

Tenho tido outros alunos assim também e vejo que acesso a leitura, a cultura, a internet, não garante em nada nada o desenvolvimento da escrita e o aumento e a precisão do vocabulário. Você vai concordar comigo, não é? Tudo bem que o aluno pode não ser fissurado por leitura, mas… é preciso ler! 

 

Seu curso está te esperando, e é rapidinho

 

 

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