A marca de autoria na redação Enem

Alguns de meus alunos se interessam sobremaneira por um bom resultado no Enem – eles veem mais chances nessa prova que em outras – e me perguntam sobre a tal “marca de autoria”, que inclusive aparece no manual de redação do Enem.

“Marca de autoria” é um conceito discutível ainda. E quando eu digo discutível me refiro aos estudiosos, com publicações sobre o assunto. Vou mencionar aqui a professora Giovana D. Rosseto, da Unicamp, que tem experiencia como corretora da Unesp. Em um de seus trabalhos ela diz:

“No entanto, a questão da autoria é bastante discutida no meio acadêmico e apresentaremos agora alguns dos muitos conceitos de autoria,  discutindo de que forma eles se adéquam ou não ao contexto de avaliação de produção escrita de grandes processos seletivos. (…) A associação de autor a uma obra faz com que não possamos pensar em autoria em contexto de avaliação de vestibular, afinal, trata-se de um evento único, ou seja, mesmo que o candidato tenha uma obra, não temos acesso a ela. Mais do que isso, não podemos sequer saber quem é o candidato, uma vez que a avaliação é sigilosa e temos acesso apenas ao texto produzido por ele.”

Se você é professor, vai se interessar pelo texto completo.

Pela leitura do manual do Enem, inferimos que para essa prova a autoria significa a capacidade do aluno de ter ideias concatenadas, de ter uma boa organização de ideias. É um nome novo para muita gente, mas… nada novo quanto ao critério de correção do Enem – isso é necessário em qualquer prova de vestibular.

Meus alunos às vezes consideram que a “marca de autoria” é uma palavra “bonita” ou “difícil”, algo diferente do que outros candidatos farão. Isso não faz parte da correção de vestibulares, porque a correção precisa ser objetiva, não pode ser baseada no que o corretor acha “bonito”, então é um equívoco pensar assim. Alguns também pensam que precisam ser originais ou criativos na redação, mas isso é difícil de ser avaliado, por isso não faz parte da correção.

Veja o que a mesma professora citada diz:

“”Tendo em vista, portanto, a complexidade do processo de avaliação e a importância de realizar uma correção objetiva e confiável, torna-se inviável avaliar aspectos relacionados à criatividade e originalidade. (…)A escolha de argumentos feita pelo candidato pode ser considerada um lugar-comum para alguns leitores, enquanto para outros pode parecer adequada ou até mesmo acima da média. Além disso, para definirmos o que é original, precisaríamos ter acesso às redações produzidas por todos os candidatos para, a partir daí, atribuirmos uma nota mais alta àqueles que foram além do que era comum à maioria. No entanto, como já destacado, isso é inviável, visto que, no caso do vestibular da Unesp em 2014, foram corrigidas cerca de 40.000 redações.”

 

O importante é você ser claro, organizado, e isso se consegue com treino. Não adianta – não adianta – colecionar palavras “bonitas” na internet, ou arranjar fórmulas.

 

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