“Será que eu fiz uma tese?”

Um internauta questionou minha afirmação sobre a tese desta redação nota 1000.

Então vou explicar melhor o que é uma tese e o que não é uma tese.

 

Uma tese é sua posição sobre um assunto. O que você acha do assunto. O que você gostaria que o corretor entendesse de sua redação.

Também preciso dizer que a tese costuma vir na introdução, sendo que a Fuvest exige isso; na prática é bom para você que ela venha o quanto antes, assim você tem mais espaço para dar seus motivos para pensar dessa forma, afinal são só 30 linhas.

 

Uma falha comum quando não se tem treino é escrever um mero fato achando que é uma tese.

Vejam esta introdução feita por um aluno meu:

 

A desigualdade social é crescente no Brasil e os motivos são diversos. Oportunidades diferentes, alto índice de desemprego, impostos altos e programas sociais não eficientes são os principais.

 

Nesta introdução,  a afirmação é mais um fato que uma tese, concorda? Pense bem: alguém poderia discordar quando ela diz “Oportunidades diferentes, alto índice de desemprego, impostos altos e programas sociais não eficientes são os principais.”? Muito difícil alguém discordar, só se for algum especialista no assunto…  Então ela não é exatamente uma tese. Nem teria o que discutir… é um fato.

Dá para continuar a redação com uma introdução assim, mas será uma introdução mais expositiva que argumentativa – porque se você dá um fato ninguém vai discordar, então você não precisa se esforçar para argumentar! Tenho visto redações nota 1000 do Enem que se baseiam num fato e por isso são expositivas, não argumentativas. Estão sendo aceitas mesmo assim.

Já em outros vestibulares isso traria problemas, porque eles exigem seu posicionamento pessoal, seus motivos pessoais também.

Em concursos o fato é mais comum, porque às vezes o candidato tem que discorrer sobre fatos já estabelecidos na proposta mesmo, então não há muita chance para opinião (mas há exceções ein!).

 

Agora veja esta outra introdução de um aluno meu:

O Brasil sempre teve sua história cercada pela desigualdade social, a qual foi mudando de aspecto através do tempo e acabou perpetuando-se. Apesar das diferenças sociais mostrarem-se como um problema crônico do país, ele possui solução

 

Nesta segunda introdução o autor acha que a desigualdade tem solução. Isso já parece mais uma tese que um fato, porque muita gente acha que a desigualdade não tem solução – se muita gente discorda, então é mais uma tese que um fato! Entende? É uma posição pessoal, uma opinião. E sendo uma tese a redação vai ter argumentos, vai haver uma tentativa de explicar essa forma de pensar otimista.

 

No geral teses levam a redações argumentativas; fatos levam a redações expositivas.

 

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9 respostas em ““Será que eu fiz uma tese?”

  1. “O Brasil sempre teve sua história cercada pela desigualdade social, a qual foi mudando de aspecto através do tempo e acabou perpetuando-se. Apesar das diferenças sociais mostrarem-se como um problema crônico do país”, até aqui era um fato? Apenas o ” ele possui solução” transformou o fato em uma tese?

    Se eu afirmo que determinada coisa se faz presente no Brasil e depois digo que é preciso resolver isso, configura uma tese?

    “a violência contra a mulher ainda se faz presente no Brasil. Nesse contexto, torna-se essencial a tomada de providências para solucionar a adversidade.”

    Tenho uma tese?

    Ou que tal assim:

    “a violência contra a mulher ainda se faz presente no Brasil. Nesse contexto, há possibilidades de solução e, para isso, é essencial a tomada de providências que combatam tal adversidade.

    Tenho uma tese?

    Não consigo pensar em nada melhor do que dizer que determinado problema possui solução (copiando a ideia do seu aluno). De que outras formas eu poderia transformar fatos em coisas discutíveis?

    Curtido por 1 pessoa

    • sim, quando vc diz que uma coisa tem solução é uma tese (pelo menos é para o nível médio), isso me faz querer saber como vc solucionaria o caso, já que muita gente diz que não tem solução! É algo que parte de você! Então tem sua cara!
      Mas dizer “precisa ser resolvida” não é tese… Uma coisa é você me dizer que TEM solução, e outra é vc dizer que precisa ser resolvida, concorda? Vc nota o efeito de cada uma dessas frases? Qual cria mais curiosidade do leitor?
      Com relação à sua introdução sobre a violência contra a mulher, me diga o que vc realmente acha do caso, o que está lá no seu coração, do tipo “pronto falei”? Aguardo…

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  2. Então, do fundo do meu coração, acho que a segunda introdução, apesar de se configurar mais explicitamente como tese, é muito grande, e por conta disso, não cabe no meu modelo de redação, haha!

    Dei uma olhada nas redações nota 1000 do ENEM passado:
    http://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-do-enem-2015-que-tiraram-nota-maxima.ghtml

    Das 10, só encontrei duas que pareciam ter esse tipo de tese bem explícita:
    Julia Guimarães Cunha
    Richard Wagner Caputo Neves

    As outras estavam, a meu ver, descritivas.
    Mas me diga, Margarete: tem como eu explicitar a tese de uma maneira bem simples e curta? Porque eu não consegui pensar em uma maneira de fazer isso.

    Curtido por 1 pessoa

  3. ai… não!!! eu perguntei o que vc acha DA VIOLÊNCIA contra a mulher!

    Sobre a introdução, realmente não faça nada grande. ok. E sobre o Enem, eles aceitam introduções SEM tese mesmo, porque eles levam o aluno a focar em propostas, então fica muito difícil em 30 linhas (como eu tinha dito no outro post) pedir a opinião, os argumentos E a proposta! É falha do Enem mesmo. Faça seu melhor, não tem jeito. A redação do Enem é normalmente mais expositiva mesmo, não é falha do aluno.
    E sobre resumir a tese, é só dizer o que você acha… comece assim “Eu acho que…” e pronto.

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  4. Penso que a violência contra a mulher é errado, assim como a violência contra o homem, contra os animais, contra a natureza… Educação e respeito são valores fundamentais na vida cotidiana. Além disso, maneiras de solucionar o problema sempre existem, mas é necessário uma ação conjunta de governo e população. É o que eu acho!

    Ein?
    “Eu acho que” é abolido por todos os professores de redação que eu já vi. Não entendi!

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  5. Então tá aí sua tese. É o que vc acha.
    Sério que você aprendeu que não pode usar “eu acho”? E o que mais você aprendeu? que não pode usar primeira pessoa também? É… não é pra menos que você não consegue dar sua tese…
    Mesmo com todos esses medos que puseram em você ainda assim dá pra você usar “eu acho” mentalmente!
    No meu blog você vai encontrar essas e outras aberrações que ensinam por aí e que só prejudicam você – leia tudo, são mais de 350 posts!

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  6. Na verdade, dias atrás, eu passei horas lendo seu blog. Vi que você fez vários posts “desmitificando” que não pode isso, não pode aquilo… Lembro até do caso do aluno que conversou com a própria Fuvest e tal. O problema é que, esses mesmos professores que dizem que não pode isso, não pode aquilo, são os que corrigem a redação do ENEM (e você mesma disse no link acima: “Faço uma ressalva em relação ao Enem que decidiu que as redações devem ser impessoais, o que significa que nelas não se deve usar a primeira pessoa do singular”. Logo, mesmo que eles estejam errados, sou obrigado a evitar o uso da primeira pessoa, para que, dessa forma, professores “desinformados” não abaixem a minha nota.

    “Eu acho que”, ao passar da “mente” para a escrita provavelmente redigirei de maneira factual, ou seja, desisto de pôr tese no ENEM! Enfim, como já dizia Sócrates: “Só sei que nada sei.”

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