Pode falar de religião na dissertação?

 

Não existe qualquer regra que proíba você de escrever sobre religião na sua dissertação. Por que haveria? A religião já foi até incluída em proposta de vestibular, dê uma olhada na prova de redação da Unifesp de 2004! O Enem 2016 centrava o tema em religião também! E religião é um fato histórico-social, não é o caso de ignorar – você nunca falou sobre religião em sala de aula?

Mas vamos ver algum risco que você pode correr ao falar de religião na redação…

 

Veja só como ficou este parágrafo que fala de religião:

“O ser humano criou religiões por toda a História. Em momentos em que a ciência não resolvia o problema de pragas, por exemplo, a religião poderia dar algum consolo, ou mesmo – por que não – uma solução espiritual, um conforto. Sabe-se que na época das pestes na Europa os doentes eram tratados como representantes de Jesus Cristo na Terra, e recebiam na Igreja o tratamento que não teriam da medicina da época. Parece ser uma necessidade humana a busca por uma resposta para seus dilemas, e as religiões são tentativas nesse sentido, por isso não desaparecerão”.

Estava tudo ok no parágrafo, concorda? Não há nada de ofensivo para quem não professe a religião católica, há? A religião tem alguma função, e não tem como esconder isso.

 

Agora veja este parágrafo aqui que também fala de religião:

“…a igreja não poderá exercer o matrimônio do ‘ casal’ [homossexual]. Um casamento, segundo a Bíblia, implica a união de um homem e uma mulher perante Deus. E da mesma forma, esta opinião eclesiástica deve ser respeitada e mantida.”

Sentiu a diferença?

Esse aluno era religioso e seguia orientações da sua religião. Até aí, é direito dele garantido por lei. Entretanto, a escolha religiosa não se baseia em argumentos racionais, parece-me algo mais emocional que está por trás dela. E argumentos emocionais são escorregadios, porque são pessoais demais… Casa igreja  tem suas diretrizes quanto a casamentos homossexuais (elas são livres para decidirem isso), mas os homossexuais podem se unir mesmo que não tenham nenhuma opção religiosa… inclusive isso já está acontecendo. Então o argumento acima perde a força.

A meu ver, portanto, o risco do uso de argumentos religiosos é principalmente esse: de ser um argumento tão pessoal seu que é fraco.

 

Agora… há outro risco sim… considere a situação de extremismos e fanatismos, que aliás sempre houve pelo mundo. Você já deve ter conhecido alguém fanático em alguma religião, e você se lembra de ter estudado casos de fanatismo que entraram para  a História (nem preciso citar), envolvendo religiões variadas. Claro, você é lúcido(a) e sabe que essas pessoas fanáticas não são bem representantes de uma religião, são lunáticos, gente com problemas psiquiátricos. Então nem estamos tratando de religião nesse ponto.

Então eu só sugiro que você não desembeste a falar mal de uma religião específica, até porque muitas religiões e seitas têm histórico de fatos vergonhosos para a humanidade. Se for para mostrar o desserviço que as religiões e seitas podem nos prestar, cite vários casos em religiões diversas e em épocas diversas, e fica tudo bem (nenhum corretor vai ficar ofendido :D).

Não é mesmo o caso de sermos excessivamente críticos em relação a uma religião, porque há serviços de assistência por todo o mundo criados por muitas religiões.

 

No caso específico da religião Católica, ela é bastante citada nas redações quanto ao seu período de Inquisição. É um argumento repetido à exaustão, até porque foi um fato horrível mesmo. Mas acho que ele não é isolado – houve muitos outros episódios terríveis envolvendo outras religiões e seitas, todavia a Inquisição é um fato histórico que faz parte do programa do curso de História no Brasil. Portanto pode usá-lo, mas veja se você não está sendo injusto… (às vezes me parece que os alunos ficam eternamente magoados com os fatos…).

Bem, eu aconselho que você só use religião em sua redação se você tiver treino. Você percebe que são nuances que você precisa perceber, para definir se daquele jeito você  pode ou não falar de religião. Infelizmente muita gente vai para a prova sem treino, e nesse caso o aluno não vai ter noção do efeito do que escreve, aí é que mora o perigo.

 

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Você ainda demora pra escrever? 

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